quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Perdoar sim, esquecer jamais...
É com esta frase do ilustríssimo sociológo alemão Jürgen Habermas que faço a abertura deste post. O mesmo foi modelado após troca de mensagens com Sara, uma amiga de Valência.
É normal que com o passar dos anos movimentos revisionistas tentem estudar novamente certos fatos acontecidos no passado, principalmente quando falamos da história. Todavia, ultimamente temos passados dos limites do revisionismo histórico em muitos pontos.
Atualmente vários países inseriram este revisionismo nas escolas e faculdades. O exemplo mas claro disto é o fato de que na Inglaterra negar o Holocausto judeu deixou de ser crime e na Espanha o revisionismo histórico vem tentando ocultar os acontecimentos de um dos períodos mais negros de sua história, a ditadura franquista (1939-1975).
Dos revisionismos, considero o do Holocausto mais perigoso. Não há nenhuma dúvida que o mesmo tenha acontecido, negar um acontecimento que vitimou milhões de pessoas seria tentar tapar o sol com uma paneira, aliás, uma peneira gigantesca.
Diante do farto material probatório existente sobre o Holocasto (fotografias, depoimentos pessoais, campos de concentração, processos judiciais, imagens) nega-lo seria abrir espaço para que um acontecimento nefasto como este acontecesse novamente.
A importância da lembrança é justamente esta, fazer com que as gerações futuras lembrem-se do Holocausto judeu, do extermínio dos amênios, do apatartheid, da limpeza étinica da Iugoslávia, do extermínio dos indígenas americanos, dos aborígenes australianos e façam o possível e o impossível para que fatos negros, que fazem o ser humano envergonhar-se de si mesmo nunca mais se repitam, em nenhuma hipótese.
O revisionismo vem ganhando tanta força nocenário internacional que até chefes de Estado o tem apoiado (como é o caso do Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã). Na minha modesta opinião, a coroação do revisionismo histórico é o processo de beatificação do Papa Pio XII ter sido aberto pela congregação para a causa dos santos no Vaticano, ou seja, o homem que fechou os olhos da Igreja para o massacre de milhões de judeus pode vir a ser declarado como 'santo' por uma das instituições mais ifluentes do ocidente.
Em suma, o revisinismo não pode triunfar, uma vez mais, perdoar sim, esquecer jamais!
domingo, 5 de outubro de 2008
Constituição Federal, 20 anos
Essa semana é muito significativa para a história jurídico-política do país, esta semana estamos comemorando - seria esta a palavra correta - os 20 anos de nossa atual Constituição.
Ao pensar na nossa Carta Política acho sempre interessante fazer uma reconstrução histórica do processo que plasmou a mesma. A Constituição Federal de 1988 é a oitava da história e a sétima republicana, sendo que, posso classificar a de 1988 como a mais significativa em termos democráticos e de envolvimento da população na época de sua assembléia nacional, isto é muito significativo num país onde os principais fatos políticos passaram despercebidos da grande parte da população que assistiu 'abobalhada' o desenrolar de ações que influenciaram suas vidas escanteadas.
A importância desta nossa Constituição deve-se ao fato de a mesma encerrar um ciclo ditatorial iniciado em 1964 com a tal 'revolução' iniciada pelos militares que se transformou em mais uma das ditaduras sulamericanas financiadas financeira e estruturalmente pelos EUA e pela CIA.
Como o próprio Ulysses Guimarães falou no momento de sua promulgação ao fim dos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, aquela era a 'Constituição Cidadã', o 'Documento da Liberdade', todavia, posso afirmar que foi mais uma ótima idéia brasileira que não deu certo.
A Constituição original era um 'espetáculo', um rol muito abrangente de Direitos Fundamentais, o princípio da dignidade da pessoa humana como idéia basilar de nosso ordenamento jurídico foi algo fenomenal, a própria ordenação da parte econômica da Constituição era incrível o que tornava o Brasil materialmente uma social-democracia sem formalmente declará-lo.
Entretanto, em menos de 20 anos, tudo foi destruído.
Não que a administração de Lula não tenha sua parcela de culpa, mas, a administração de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) foi desastrosa em termos constitucionais. O outrora senador que fez um brilhante discurso em 1982 que inciou os debates sobre a necessidade de remoção do 'entulho autoritário' daditadura militar por meio de sucessivas emendas constitucionais retalhou a boa Constituição que não tinha nem 10 anos de vigência.
Das descontruções (não no sentido derridaniano) feitas por FHC encontram-se o 'golpe branco' que foi a Emenda Constitucional da reeleição e, em especial, o desmonte do capital estatal possibilitado pelo Programa de Desestatização da Economia Nacional que promoveu a revogação da Constituição que abordava a ordem econômica (que era um dos destaques mundiais, um primor dos legisladores brasileiros) e possibilitou a venda da Telebrás, Vale do Rio Doce e outros complexos da economia estatal. Inclusive, o projeto de privatização da economia nacional possibilitou o fortalecimento de dois personagens que atualmente estão aparecendo muito na mídia: Daniel Dantas e Gilmar mendes. O primeiro enriqueceu com as privatizações e pode gerenciar alguns fundos de pensão por meio dos contatos de seu grupo financeiro (o Opportunity, nome apropriado, não acham?), quanto ao Gilmar Mendes, na época do projeto o mesmo era Advogado-Geral da União, ou seja, acessor jurídico da Presidência da República, resumo da ópera, Gilmar conseguiu desembaraçar juridicamente o projeto que era alvo de diversas ações no poder judiciário, Gilmar é uma pessoa inteligentíssima e, tendo conseguido desembaraçar o projeto, como recompensa, no fim do mandato de FHC foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal.
Mas, problemas legislativos não são os únicos enfrentados pela nossa Constituição. Há um problema mais grave, desta vez de ordem sociológica que podemos observar em todas as leis em nosso país, mas, em especial em nossa Constituição: a mesma não tem força para impor-se frente a sociedade.
Estes são os grandes desafios da Constituição nos próximos anos, o fortalecimento de sua força normativa e não perder definitivamente o espírito o qual estava revestido em fins da década de 1988: a liberdade, a democracia e a dignidade.
Ao pensar na nossa Carta Política acho sempre interessante fazer uma reconstrução histórica do processo que plasmou a mesma. A Constituição Federal de 1988 é a oitava da história e a sétima republicana, sendo que, posso classificar a de 1988 como a mais significativa em termos democráticos e de envolvimento da população na época de sua assembléia nacional, isto é muito significativo num país onde os principais fatos políticos passaram despercebidos da grande parte da população que assistiu 'abobalhada' o desenrolar de ações que influenciaram suas vidas escanteadas.
A importância desta nossa Constituição deve-se ao fato de a mesma encerrar um ciclo ditatorial iniciado em 1964 com a tal 'revolução' iniciada pelos militares que se transformou em mais uma das ditaduras sulamericanas financiadas financeira e estruturalmente pelos EUA e pela CIA.
Como o próprio Ulysses Guimarães falou no momento de sua promulgação ao fim dos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, aquela era a 'Constituição Cidadã', o 'Documento da Liberdade', todavia, posso afirmar que foi mais uma ótima idéia brasileira que não deu certo.
A Constituição original era um 'espetáculo', um rol muito abrangente de Direitos Fundamentais, o princípio da dignidade da pessoa humana como idéia basilar de nosso ordenamento jurídico foi algo fenomenal, a própria ordenação da parte econômica da Constituição era incrível o que tornava o Brasil materialmente uma social-democracia sem formalmente declará-lo.
Entretanto, em menos de 20 anos, tudo foi destruído.
Não que a administração de Lula não tenha sua parcela de culpa, mas, a administração de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) foi desastrosa em termos constitucionais. O outrora senador que fez um brilhante discurso em 1982 que inciou os debates sobre a necessidade de remoção do 'entulho autoritário' daditadura militar por meio de sucessivas emendas constitucionais retalhou a boa Constituição que não tinha nem 10 anos de vigência.
Das descontruções (não no sentido derridaniano) feitas por FHC encontram-se o 'golpe branco' que foi a Emenda Constitucional da reeleição e, em especial, o desmonte do capital estatal possibilitado pelo Programa de Desestatização da Economia Nacional que promoveu a revogação da Constituição que abordava a ordem econômica (que era um dos destaques mundiais, um primor dos legisladores brasileiros) e possibilitou a venda da Telebrás, Vale do Rio Doce e outros complexos da economia estatal. Inclusive, o projeto de privatização da economia nacional possibilitou o fortalecimento de dois personagens que atualmente estão aparecendo muito na mídia: Daniel Dantas e Gilmar mendes. O primeiro enriqueceu com as privatizações e pode gerenciar alguns fundos de pensão por meio dos contatos de seu grupo financeiro (o Opportunity, nome apropriado, não acham?), quanto ao Gilmar Mendes, na época do projeto o mesmo era Advogado-Geral da União, ou seja, acessor jurídico da Presidência da República, resumo da ópera, Gilmar conseguiu desembaraçar juridicamente o projeto que era alvo de diversas ações no poder judiciário, Gilmar é uma pessoa inteligentíssima e, tendo conseguido desembaraçar o projeto, como recompensa, no fim do mandato de FHC foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal.
Mas, problemas legislativos não são os únicos enfrentados pela nossa Constituição. Há um problema mais grave, desta vez de ordem sociológica que podemos observar em todas as leis em nosso país, mas, em especial em nossa Constituição: a mesma não tem força para impor-se frente a sociedade.
Estes são os grandes desafios da Constituição nos próximos anos, o fortalecimento de sua força normativa e não perder definitivamente o espírito o qual estava revestido em fins da década de 1988: a liberdade, a democracia e a dignidade.
sábado, 27 de setembro de 2008
Algumas vezes gosto de usar o espaço aqui do blog para sugerir alguns discos, pois bem, aí vai... A sugestão de hoje é o disco do Dream Theater, Metropolis Pt2: Scenes From a Memory. Para mim este é um dos cds mais importantes de rock da década de 1990, o Dream Theater ousou muito neste disco ao tentar fazer um álbum conceitual, coisa que poucas bandas até hoje fizeram.
O disco é muito legal, a começar pela capa que, unindo várias imagens forma um rosto, a criatividade começa logo por aí.
As doze faixas do cd contam a tragetória de Nicholas, um cara atormentado que, durante um processo de regressão descobre uma história de sua vida passada que lhe trazia muitos transtornos: ele teve um romance com sua cunhada, fato que levou seu irmão a assassinar os dois em defesa de sua honra.
O cd segue o ritmo ascendente, começa com a sessão de regressão até que, progressivamente, chega-se ao cerne, o romance proibido e o desfecho trágico e a certeza, nas palavras dos próprios membros do Dream Theater - que assinam todas as músicas - que a morte não é o fim, mas apenas uma transição.
Vale a pena conferir!
O disco é muito legal, a começar pela capa que, unindo várias imagens forma um rosto, a criatividade começa logo por aí.
As doze faixas do cd contam a tragetória de Nicholas, um cara atormentado que, durante um processo de regressão descobre uma história de sua vida passada que lhe trazia muitos transtornos: ele teve um romance com sua cunhada, fato que levou seu irmão a assassinar os dois em defesa de sua honra.
O cd segue o ritmo ascendente, começa com a sessão de regressão até que, progressivamente, chega-se ao cerne, o romance proibido e o desfecho trágico e a certeza, nas palavras dos próprios membros do Dream Theater - que assinam todas as músicas - que a morte não é o fim, mas apenas uma transição.
Vale a pena conferir!
Direito Humanos?!
O discurso em prol dos direitos humanos aqui no Brasil é o mais variado possível, ele vem crescendo de forma geral desde a década de 1960, mas, sempre suspeito de pessoas que levantam bandeiras ideológicas com muito vigor.
A prova desta minha desconfiança uma vez mais se confirmou esta semana depois que a comissão de anistia do Ministério da Justiça aprovou uma indenização no valor de R$ 99 mil para político, ex-deputado federal e ex-ministro Nilmário Miranda. Será alguma coincidência o fato de ele ser petista e agora finalmente 'compensado' pelos 'sofrimentos' e exílio durante a ditadura?
Há muitas disparidades quanto as 'reparações econômicas' decorrentes da ditudaura. Muitas famílias esperam até hoje, quase 25 anos após o fim do regime militar, indenizações que acabam contemplando os políticos do governo.
Cada dia mais e mais perco a crença nas ideologias, hoje vejo que os 'revolucionários' daquela época estavam mais interessados no poder e na garantia de uma 'boa aposentadoria' do algum alto ideal.
A prova desta minha desconfiança uma vez mais se confirmou esta semana depois que a comissão de anistia do Ministério da Justiça aprovou uma indenização no valor de R$ 99 mil para político, ex-deputado federal e ex-ministro Nilmário Miranda. Será alguma coincidência o fato de ele ser petista e agora finalmente 'compensado' pelos 'sofrimentos' e exílio durante a ditadura?
Há muitas disparidades quanto as 'reparações econômicas' decorrentes da ditudaura. Muitas famílias esperam até hoje, quase 25 anos após o fim do regime militar, indenizações que acabam contemplando os políticos do governo.
Cada dia mais e mais perco a crença nas ideologias, hoje vejo que os 'revolucionários' daquela época estavam mais interessados no poder e na garantia de uma 'boa aposentadoria' do algum alto ideal.
domingo, 14 de setembro de 2008
Ensaio sobre a cegueira
Esse final de semana consegui um tempo para ir ver o filme novo do Fernando Meirelles, Ensaio sobre a cegueira (Blindness: 2008. Brasil, Canadá, Japão) baseado na obra homônima de José Saramago.
Não vou negar que seja um bom filme, contudo, devo fazer algumas reservas sobre ele. De início, para mim o Fernando errou no foco do filme, ele como sempre preocupa-se demais em chocar, em mostrar o lado degenerado da humanidade, não que Saramago seja um idealista, ao contrário, mais do que um realista, ele é um pessimista em relação ao gênero humano, todavia, ensaio sobre a cegueira tem um foco diferente do proposto por Fernando Meirelles.
O livro ensaio sobre a cegueira lançado pelo Nobel de literatura em 1995 tem como foco a importância da racionalidade e da lucidez, na necessidade de manter-se são em momentos nos quais vivemos rodeados de insanidade, ou, nas próprias palavras do autor, "a responsabilidade de ter olhos quando todos os outros já os perderam".
Mas, ao contrário, Meirelles propõe um cenário de trevas onde toda a humanidade desmorona ante a epidemia de uma 'treva branca', onde um aparente cenário de normalidade é quebrado e mostra toda a crueldade e irracionalidade do gênero humano.
O filme, apesar de alguns erros na interpretação da adaptação tem um grande valor, o primeiro filme baseado numa obra de Saramago, a edição de imagens, fotografia e iluminação estão fantásticos no filme, enfim... vale à pena conferir!
Não vou negar que seja um bom filme, contudo, devo fazer algumas reservas sobre ele. De início, para mim o Fernando errou no foco do filme, ele como sempre preocupa-se demais em chocar, em mostrar o lado degenerado da humanidade, não que Saramago seja um idealista, ao contrário, mais do que um realista, ele é um pessimista em relação ao gênero humano, todavia, ensaio sobre a cegueira tem um foco diferente do proposto por Fernando Meirelles.
O livro ensaio sobre a cegueira lançado pelo Nobel de literatura em 1995 tem como foco a importância da racionalidade e da lucidez, na necessidade de manter-se são em momentos nos quais vivemos rodeados de insanidade, ou, nas próprias palavras do autor, "a responsabilidade de ter olhos quando todos os outros já os perderam".
Mas, ao contrário, Meirelles propõe um cenário de trevas onde toda a humanidade desmorona ante a epidemia de uma 'treva branca', onde um aparente cenário de normalidade é quebrado e mostra toda a crueldade e irracionalidade do gênero humano.
O filme, apesar de alguns erros na interpretação da adaptação tem um grande valor, o primeiro filme baseado numa obra de Saramago, a edição de imagens, fotografia e iluminação estão fantásticos no filme, enfim... vale à pena conferir!
sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Olá amigos... voltei finalmente!
Infelizmente não tenho tido muito tempo para postar devido aos compromissos do trabalho e pelo fato de eu ainda estar sem internet no meu apartamento aqui em Recife, mas, nos próximos dias isto mudará!
Ontem fui ao show inclassificáveis do Ney Matogrosso, só posso definir o show desse cara com uma paralavra: fantástico...
É incrível a vitalidade que ele tem, com mais de 60 anos ele tem infinitamente mais fôlego que eu... cantou todas as músicas do cd novo 'inclassificáveis', mas, para mim, o ponto alto do show foi o momento no qual ele cantou a música 'cavaleiro de aruanda', uma ode à Oxossi...
Sem mais palavras para descrever o show... o que me lamenta é que este tenha sido apenas meu primeiro show de Ney...
sexta-feira, 13 de junho de 2008
1 ano de saudades
Hoje é um dia especialmente triste para mim. Um ano atrás, mais ou menos essa hora meu pai partia deste mundo, desde o primeiro momento que acordei que só penso nisso, foi um período muito doloroso.
Meu pai sempre foi um cara muito duro, casca grossa, mas aos poucos eu descobria a minha forma de gostar dele, era tido por muitos dos meus amigos como uma verdadeira figura e me custou muito aceitar a sua perda.
Quando da partida de alguém que gostamos muito sempre encaramos esta perda como uma injustiça, que aconteceu muito cedo ou que há alguma coisa errada. Prefiro aceitar a tese de minha mãe, que Deus é muito sábio e só quer com ele o que é bom, só traz a pessoa para junto de si quando ela está pronta, num estágio superior. Pensando assim, até me alegra pensar que meu pai se foi porquê Deus o queria mais perto por ele ser uma pessoa boa, preciosa, uma jóia.
Meu pai sempre foi um cara bastante saudável, o mais geração saúde de minha casa, mas, repentinamente, foi diagnosticado com um câncer e se foi um mês após o diagnóstico, quando penso nisso, lembro dos retardados efeitos maléficos do cigarro e o que ele fez a meu pai mesmo após ter parado de fumar há mais de 20 anos.
O que tenho a registrar aqui é minha imensa saudade e saudosismo pelo meu pai, foi difícil nos primeiros dias ao ir pra faculdade e não vê-lo na calçada com seus passarinhos como de costume, mas, o tempo é capaz de fazer todas as feridas sararem e transformar a mais profunda das tristezas na mais bela saudade, a dor passa por eu ter cada dia a certeza que ele está num lugar maravilhoso, sem dor ou sofrimento, longe de todas as preocupações futilidades terrenas, num plano superior com seus entes mais queridos...
Saudades pai...
Meu pai sempre foi um cara muito duro, casca grossa, mas aos poucos eu descobria a minha forma de gostar dele, era tido por muitos dos meus amigos como uma verdadeira figura e me custou muito aceitar a sua perda.
Quando da partida de alguém que gostamos muito sempre encaramos esta perda como uma injustiça, que aconteceu muito cedo ou que há alguma coisa errada. Prefiro aceitar a tese de minha mãe, que Deus é muito sábio e só quer com ele o que é bom, só traz a pessoa para junto de si quando ela está pronta, num estágio superior. Pensando assim, até me alegra pensar que meu pai se foi porquê Deus o queria mais perto por ele ser uma pessoa boa, preciosa, uma jóia.
Meu pai sempre foi um cara bastante saudável, o mais geração saúde de minha casa, mas, repentinamente, foi diagnosticado com um câncer e se foi um mês após o diagnóstico, quando penso nisso, lembro dos retardados efeitos maléficos do cigarro e o que ele fez a meu pai mesmo após ter parado de fumar há mais de 20 anos.
O que tenho a registrar aqui é minha imensa saudade e saudosismo pelo meu pai, foi difícil nos primeiros dias ao ir pra faculdade e não vê-lo na calçada com seus passarinhos como de costume, mas, o tempo é capaz de fazer todas as feridas sararem e transformar a mais profunda das tristezas na mais bela saudade, a dor passa por eu ter cada dia a certeza que ele está num lugar maravilhoso, sem dor ou sofrimento, longe de todas as preocupações futilidades terrenas, num plano superior com seus entes mais queridos...
Saudades pai...
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